quinta-feira, 27 de maio de 2010

Complexidade no bonzinho

Programa Debate da MTV, apresentado pelo ilustre Lobão (que fique claro independente da música apresenta grande intelecto), foi ao ar com a seguinte problemática " O rock pode ser bonzinho?". Estavam na mesa representantes do happy rock (não tinha ouvido falar disso até então, pessoas com roupas coloridas, com músicas alegres) e o lado escuro da força, confesso que tanto o céu quanto o inferno tinham representantes sem grande conteúdo para defender suas teses, exceto dois jornalista, cada um do seu lado.
Discussões musicais a parte, Lobão iniciou o debate com uma pergunta muito pertinente "Existe complexidade no bonzinho?", os colegas da mesa até tentaram responder, mas nenhum conseguiu se manter na pergunta. Eu fiquei me questionando isso por toda uma madruga e cheguei a conclusão que não! Não existe complexidade no bonzinho.
Pensar em complexo me remete a Nietzsche, e não, ele estava bem longe de ser bonzinho; Freud, não posso colocá-lo como exemplo dos céus; Galileu, ele até foi excomungado da igreja!; e assim continua... Schakespare? Ele mata dois amantes em sua principal obra! Pensei inclusive nos arcadianos, afinal falar da natureza e pastos deveria ser bonzinho, mas ainda assim ao ler traz alguns assuntos existênciais e logo perde sua pureza. Fernando Pessoa? Não, ele não era exemplo de bom moço.
A verdade é quando se assume uma postura complexa origina em questionamentos, críticas e discussões, nesse exato momento deixa-se de ser bonzinho. O simples ato de levantar suas questões sobre qualquer assunto, por mais inútil que seja, é dado ao outro o momento de reflexão gerando uma inquietação que não é nada bonzinha. Não perderia meu sono se o Lobão fosse bonzinho, tão pouco acordaria pensando nisso.